quarta-feira, 6 de junho de 2012

Trancado a sete chaves.



                Mais uma vez ela acordou sem motivos no meio da madrugada fria. Cambaleando, foi até o jardim e olhou para o céu para sentir a companhia das estrelas, como sempre fazia; mas se sentiu ainda mais sozinha: de onde ela estava, não era possível avistar as estrelas. Nem a lua. Nem nada. Somente o céu escuro, o que para ela era curioso, pois ela sabia que haviam estrelas e obviamente a lua estava escondida ali em algum lugar. Isso a fez lembrar daquilo que ela chamava de coração: um baú com um milhão de sentimentos bons escondidos para revelar somente escuridão. Aquele buraco negro que absorvia todas as boas memórias e as mantinha tão bem guardadas a ponto de fazer sua própria dona esquecer delas, sendo a raiva, a angústia, a tristeza e o remorso os únicos sentimentos que se mostravam presentes todos os dias. Bastava uma única palavra ou uma lágrima para que a escuridão em seu coração fosse revelada. Não havia nada que ela soubesse fazer para destrancar a felicidade. Uma vez ou outra ela encontrava motivos externos pra sorrir. Mesmo estando acomodada com todo esse peso, ela sabe que precisa passar por um árduo e tortuoso caminho repleto de lágrimas e sangue para encontrar a chave e destrancar toda a felicidade, toda a luz e toda beleza que seu coração esconde. Talvez seja preciso sofrer um pouco mais.




Um comentário:

C.S. Joy disse...

dude, what is going on??!!